A biografia de uma das figuras portuguesas mais marcantes do século XX
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Leningrado
Álvaro Cunhal tinha uma vida cultural intensa em Moscovo. Assistia com frequência aos espectáculos no Teatro Bolshoi e na sala Tchaikosky. O gira-discos que tinha em casa tocava repetidamente algumas das suas peças preferidas de música clássica. Admirava as obras musicais de Mozart e de Beethoven, mas era com a “Sinfonia de Leningrado” de Shostakovich que mais se emocionava no silêncio do seu apartamento moscovita nos anos 60.
O primeiro discurso
Álvaro Cunhal exilou-se na União Soviética em finais de Setembro de 1961. A rádio Moscovo noticiou que tinha à sua espera Mikail Suslov, Otto Kusinen e Boris Ponomariov quando desembarcou. Convidaram-no para visitar uma fábrica de ligas especiais na capital para fazer o seu primeiro discurso na Pátria do Socialismo. Aproveitou o encontro com os inonográficos trabalhadores soviéticos para recordar a sua recente experiência nas prisões da PIDE. “Na polícia, os presos são espancados cruelmente dias inteiros, impedidos de dormir até perderem consciência dos seus actos, obrigados (na chamada tortura da estátua) a estarem de pé e imóveis durante dias e noites seguidos que, em alguns casos, atingem semanas. A técnica dos torturadores profissionais da PIDE é torturar ‘até à beira da morte’. Torturam repetidas vezes, ao longo de vários meses. Muitos e muitos patriotas ficam com a saúde arruinada para sempre em resultado das torturas. Muitos e muitos outros sucumbem a elas. Poderia estar horas contando-vos aspectos das torturas na polícia, de maus tratos nas prisões, dos arbítrios e injustiças nos tribunais. Mas não pretendo mais que dar-vos uma ideia geral da situação que existe e pedir a vossa solidariedade. Tudo quando refiro não são factos de que tenha apenas ouvido falar. Sou testemunha desses factos porque eu próprio os vivi e sofri”.
Ana Cunhal no Inverno de Moscovo
Ana Cunhal fotografada pelo pai em Moscovo. Álvaro Cunhal revelava as fotografias num pequeno laboratório que instalou numa das casa-de-banho do seu apartamento T4, no centro da cidade.
O exílio de Álvaro Cunhal em Moscovo
O bairro onde Álvaro Cunhal viveu durante o exílio na União Soviética. O aglomerado de edífícios situa-se na Voroby'evskoye Shossé, avenida dos Pardais. O líder do PCP viveu em Moscovo com a companheira Isaura Moreira e com a filha Ana Cunhal. Juntaram-se mais tarde Margarida Tengarrinha e a sua filha e depois Francisco Miguel. Como é que viviam?
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
E se Álvaro Cunhal estivesse preso no 25 de Abril?

Em Janeiro de 1960, um grupo de altos dirigentes do PCP fugiu do Forte de Peniche com a conivência de dois guardas da GNR. Entre os fugitivos que escaparam da prisão de alta segurança do Estado Novo, e fugiram ao som da “Patética” de Tchaikovsky, estava Álvaro Cunhal, detido pela PIDE desde Março de 1949. Teria havido 25 de Abril sem esta monumental fuga colectiva e sem o plano para tomar o poder que representa o “Rumo à Vitória”? Se a resposta for sim, o 25 de Abril teria sido o que foi se Álvaro Cunhal estivesse preso quando golpe militar acabou com a Ditadura?
terça-feira, 12 de outubro de 2010
A personalidade
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