segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A casa de Álvaro Cunhal em Seia

A casa da família Cunhal em Seia (já desaparecida)

O baptismo de Álvaro Cunhal realizou-se no dia 5 de Maio de 1919, na igreja matriz de Seia. A cerimónia de sacramento teve como padrinho o irmão António José com 10 anos e o assento refere que “para madrinha recorreu-se à invocação de Nossa Senhora da Assunção”.

Álvaro Cunhal: passeios no Tejo

Álvaro Cunhal com Soeiro Pereira Gomes e outros intelectuais durante um passeio de fragata no rio Tejo

domingo, 14 de novembro de 2010

A revolução


Carlos Costa e Joaqim Gomes fotografos no local por onde fugiram do Forte de Peniche com Álvaro Cunhal há cinquenta anos

O futuro em Moscovo


Pires Jorge chegou a Moscovo no dia 2 de Março de 1957. O dirigente do PCP foi recebido pelo vice-director do departamento do comité central do PCUS para as relações com os partidos comunistas estrangeiros. A documentação com o relato da reunião secreta encontra-se no Arquivo Estatal da História Moderna da Rússia, em Moscovo, assinada com o pseudónimo "Vinogradov I" e data de 7 de Março.



“Numa conversa com um funcionário do departamento [do comité central], o camarada Gomes [Pires Jorge] (...) pede aos partidos comunistas fraternos que contribuam para a libertação do primeiro secretário do comité central do PCP, Álvaro Cunhal, que desde 1949 está preso em Lisboa Actualmente, há esperança que o Governo português consinta em libertá-lo sob condição de ele deixar o país. Para tal, os camaradas portugueses precisam receber o consentimento do Governo de um país, de preferência capitalista, de conceder um visto ao camarada Cunhal"

A prisão perpétua


Avelino Cunhal enviou um requerimento para o ministro da Justiça no dia 12 de Novembro de 1956. “Em quase oito anos de prisão, não sofreu o signatário [Álvaro Cunhal] o menor castigo,  nem há na sua conduta nada que possa justificar o prolongamento  das medidas de segurança”. Solicita depois ao governo a possibilidade de exílio forçado para o estrangeiro para evitar a provável prisão perpétua. "Se tal solução fosse adoptada, necessário seria naturalmente que o signatário fosse dela dado conhecimento com a antecedência necessária para não só que pudesse resolver óbvias questões de carácter pessoal (familiares, financeiras, documentos), como pudesse diligenciar a fim de obter que algum país lhe desse direito de asilo ou o acolhesse como emigrante".

Negociações secretas

Álvaro Cunhal negociou com o Estado Novo o regresso à liberdade após ter cumprido 8 anos de prisão. A proposta de compromisso implicava o abandono de Portugal e o exílio no México. Os detalhes deste processo foram directamente comunicados ao responsáveis soviéticos para solicitar aprovação e ajuda do movimento comunista internacional. Moscovo aprovou a negociação da libertação condicionada ao exílio. O assunto começou a ser tratado após a transferência da Penitenciária de Lisboa para a Forte de Peniche (fotografia de 2009). Foi Avelino Cunhal quem interpelou o governo para solicitar a avaliação da “possibilidade de exílio forçado" do seu filho no estrangeiro.

Revelação de documento dos arquivos do PCUS


Expresso, 13 de Novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Fuga

Carlos Costa e Joaquim Gomes fotografados no Forte de Peniche 50 anos após a épica fuga colectiva com Álvaro Cunhal

O poder do povo

Álvaro Cunhal num comício em Coruche

Metro de Moscovo (2009)

Parque junto à casa de Álvaro Cunhal (II)

Os arredores da casa de Álvaro Cunhal em Moscovo (2009)

Parque junto à casa de Álvaro Cunhal (I)

O Outono em Moscovo (2009)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Leningrado

Álvaro Cunhal tinha uma vida cultural intensa em Moscovo. Assistia com frequência aos espectáculos no Teatro Bolshoi e na sala Tchaikosky. O gira-discos que tinha em casa tocava repetidamente algumas das suas peças preferidas de música clássica. Admirava as obras musicais de Mozart e de Beethoven, mas era com a  “Sinfonia de Leningrado” de Shostakovich que mais se emocionava no silêncio do seu apartamento moscovita nos anos 60.

O primeiro discurso

Álvaro Cunhal exilou-se na União Soviética em finais de Setembro de 1961. A rádio Moscovo noticiou que tinha à sua espera Mikail Suslov, Otto Kusinen e Boris Ponomariov quando desembarcou. Convidaram-no para visitar uma fábrica de ligas especiais na capital para fazer o seu primeiro discurso na Pátria do Socialismo. Aproveitou o encontro com os inonográficos trabalhadores soviéticos para recordar a sua recente experiência nas prisões da PIDE. “Na polícia, os presos são espancados cruelmente dias inteiros, impedidos de dormir até perderem consciência dos seus actos, obrigados (na chamada tortura da estátua) a estarem de pé e imóveis durante dias e noites seguidos que, em alguns casos, atingem semanas. A técnica dos torturadores profissionais da PIDE é torturar ‘até à beira da morte’. Torturam repetidas vezes, ao longo de vários meses. Muitos e muitos patriotas ficam com a saúde arruinada para sempre em resultado das torturas. Muitos e muitos outros sucumbem a elas. Poderia estar horas contando-vos aspectos das torturas na polícia, de maus tratos nas prisões, dos arbítrios e injustiças nos tribunais. Mas não pretendo mais que dar-vos uma ideia geral da situação que existe e pedir a vossa solidariedade. Tudo quando refiro não são factos de que tenha apenas ouvido falar. Sou testemunha desses factos porque eu próprio os vivi e sofri”.


A Pátria do Socialismo

Um saudoso Lada estacionado no pátio do prédio (2009) onde Álvaro Cunhal viveu na década 60.

Ana Cunhal no Inverno de Moscovo

Ana Cunhal fotografada pelo pai em Moscovo. Álvaro Cunhal revelava as fotografias num pequeno laboratório que instalou numa das casa-de-banho do seu apartamento T4, no centro da cidade.

O exílio de Álvaro Cunhal em Moscovo

O bairro onde Álvaro Cunhal viveu durante o exílio na União Soviética. O aglomerado de edífícios situa-se na Voroby'evskoye Shossé, avenida dos Pardais. O líder do PCP viveu em Moscovo com a companheira Isaura Moreira e com a filha Ana Cunhal. Juntaram-se mais tarde Margarida Tengarrinha e a sua filha e depois Francisco Miguel. Como é que viviam?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

E se Álvaro Cunhal estivesse preso no 25 de Abril?

Em Janeiro de 1960, um grupo de altos dirigentes do PCP fugiu do Forte de Peniche com a conivência de dois guardas da GNR. Entre os fugitivos que escaparam da prisão de alta segurança do Estado Novo, e fugiram ao som da “Patética” de Tchaikovsky, estava Álvaro Cunhal, detido pela PIDE desde Março de 1949. Teria havido 25 de Abril sem esta monumental fuga colectiva e sem o plano para tomar o poder que representa o “Rumo à Vitória”? Se a resposta for sim, o 25 de Abril teria sido o que foi se Álvaro Cunhal estivesse preso quando golpe militar acabou com a Ditadura?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A personalidade


Todas as épocas marcam as gerações que as vivem. Mas poucos são os homens que deixam sinais no tempo presente e futuro.